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Cormeilles-en-Parisis: apartamento devastado, inquilinos nómadas e janelas fechadas durante dois anos

Casal observa paredes desgastadas numa divisão vazia, com ferramentas e apontamentos no chão.

Um casal de senhorios queria, à partida, fazer algo com impacto social e disponibilizar habitação a preços acessíveis. O desfecho, porém, foi um apartamento com aspeto arruinado, despesas elevadas e a decisão de se desfazerem por completo do imóvel. O caso não está a gerar debate apenas em França - reflete também muitas das preocupações de senhorios particulares na Alemanha.

Apartamento ao abandono: dois anos sem abrir uma janela

A situação ocorreu em Cormeilles-en-Parisis, nos arredores de Paris. Aí, um casal arrendou o seu apartamento (em propriedade) durante vários anos a diferentes inquilinos. Ao longo desse período, passaram pelo imóvel cerca de dez agregados; por último, uma família integrada num programa social destinado a garantir habitação a famílias com baixos rendimentos.

Segundo o relato dos proprietários, o verdadeiro pesadelo começou com este último arrendamento. Com o tempo, o estado do apartamento degradou-se de forma evidente. O pormenor mais estranho: de acordo com os senhorios, as janelas terão ficado sem ser abertas durante cerca de dois anos. As persianas estavam danificadas e mantiveram-se permanentemente fechadas.

Durante anos sem renovação de ar, persianas fechadas e humidade - uma combinação perigosa para qualquer apartamento.

Quem já passou algum tempo sem ventilar sabe como o cheiro a mofo e a humidade se instalam depressa. Aqui, estamos a falar de meses - possivelmente de anos. Num cenário assim, as paredes podem ganhar bolor, o soalho pode empenar e o mobiliário pode inchar. E, quando a situação sai totalmente do controlo, é frequente existirem restos de comida, lixo e uma higiene global muito deficiente.

Disputa prolongada sobre a saída e o acesso ao imóvel

A dada altura, os proprietários decidiram vender o apartamento. Para o fazer, precisavam, naturalmente, de recuperar a posse do imóvel. A associação responsável por acompanhar o programa social na zona terá informado o casal, segundo estes, de que já não tinha contacto com os residentes.

Perante isto, o casal avançou com um processo de despejo. Este tipo de procedimento é juridicamente exigente e tende a arrastar-se. Neste caso, foram necessários cerca de 12 meses até os inquilinos saírem de facto e os proprietários poderem voltar a entrar no seu apartamento.

Além do desgaste emocional, estes processos implicam custos e perdas: honorários de advogados, custas judiciais, um ano sem garantia de rendas - e a incerteza permanente sobre o estado em que o imóvel será devolvido.

Choque ao entrar: apartamento em estado ruinoso

Quando, após a saída, os senhorios voltaram a entrar pela primeira vez, veio novo choque. Segundo os próprios, o apartamento apresentava danos extensos. Pavimentos, paredes e equipamentos - muita coisa parecia destruída e inutilizada.

Os proprietários falam de um apartamento “destruído” - visualmente muito longe de um desgaste normal após um arrendamento.

A associação responsável ainda mandou reparar alguns estragos, nomeadamente danos mais graves e falhas evidentes. Ainda assim, a sensação que ficou foi a de um imóvel mais parecido com uma obra do que com uma casa pronta a habitar.

A diretora-geral da associação reconheceu que, em alguns casos, as condições após a desocupação são “catastróficas”. Disse também que tentam resolver a situação, mas enfrentam limites. O motivo principal: os fundos públicos que sustentam estes programas não chegam para reabilitar por completo todos os apartamentos danificados.

Obras e venda: senhorios tiram conclusões

Para o casal, a decisão ficou tomada: querem avançar com uma renovação profunda e, em seguida, colocar o apartamento à venda. Assim, sai do mercado um proprietário privado que, inicialmente, tinha optado por arrendar com uma intenção social.

O balanço após 12 anos de arrendamento é amargo:

  • ausência de retorno seguro na última fase do contrato
  • custos elevados de renovação devido a danos significativos
  • litígios prolongados em torno do despejo
  • decisão final de deixar de arrendar

Casos deste tipo agravam um mercado de habitação já pressionado. Em especial, as casas mais acessíveis de proprietários particulares tendem a desaparecer quando os donos deixam de querer assumir o risco.

Inquilinos nómadas e casos problemáticos: paralelos com a Alemanha

Na Alemanha, muitos senhorios também conhecem histórias semelhantes. A palavra-chave é “inquilinos nómadas”: pessoas que não pagam, deixam o imóvel degradar-se e são difíceis de retirar. Embora a maioria dos arrendamentos decorra sem problemas, episódios extremos com danos pesados influenciam muito a perceção pública.

Por isso, associações de senhorios e seguradoras lembram com frequência os instrumentos legais ao dispor dos proprietários, por exemplo:

  • notificação escrita em caso de atraso de pagamento ou incumprimentos graves
  • resolução imediata do contrato de arrendamento
  • participação criminal quando há suspeita de fraude no arrendamento
  • ação de despejo e subsequente despejo coercivo

Existem associações especializadas e prestadores de serviços que apoiam senhorios. Somam-se seguros que podem mitigar, pelo menos em parte, prejuízos por vandalismo ou falta de pagamento. Ainda assim, arrendar nunca é totalmente isento de risco.

Porque é que manter janelas fechadas durante tanto tempo é tão perigoso

Este caso também evidencia como a falta de ventilação é subestimada. Passar dois anos sem abrir uma janela é praticamente garantia de danos. Em qualquer casa há produção de humidade: no duche, a cozinhar, a dormir, ao secar roupa. Sem renovação de ar, essa humidade acumula-se em paredes, cantos e atrás de móveis.

Consequências típicas de não ventilar incluem:

Problema Consequência
Humidade elevada no ar formação de bolor em paredes e tetos
Mobiliário e têxteis húmidos cheiro intenso, impacto na saúde
Janelas permanentemente fechadas sem expulsão de CO₂ e de poluentes
Divisões escuras, persianas fechadas falta de controlo de danos a partir do exterior

O bolor não é apenas uma questão estética. Pode agravar doenças respiratórias, desencadear alergias e afetar fortemente crianças, idosos ou pessoas doentes. Ao mesmo tempo, em muitos casos, a responsabilidade recai sobre o inquilino quando fica demonstrado que ventilar e aquecer de forma incorreta foi a principal causa.

Como os senhorios se podem proteger melhor

O que se pode retirar deste episódio? Um ponto essencial: deixar o arrendamento totalmente em “piloto automático” tem riscos. Mesmo quando se arrenda através de entidades sociais ou programas, convém acompanhar, insistir e procurar perceber o estado do imóvel - dentro do que a lei permite.

Do ponto de vista do senhorio, podem ajudar, por exemplo:

  • autos de entrega claros na entrada e na saída
  • registo fotográfico do estado do imóvel no início do contrato
  • visitas acordadas e previamente comunicadas durante o período de arrendamento
  • uma administração de condomínio/gestão do imóvel acessível e com capacidade de resposta
  • seguros adicionais para falta de pagamento e vandalismo

Quem arrenda por motivação social, em particular, deve compreender bem o programa, a associação gestora e as responsabilidades de cada parte. Se não ficar claro quem paga os danos e como é feito o acompanhamento, surgem conflitos como o de Cormeilles-en-Parisis.

Quando a ambição social colide com a realidade

O caso francês expõe um conflito de objetivos que também se vê na Alemanha: por um lado, é preciso habitação acessível para quem tem rendimentos baixos; por outro, os proprietários têm razão em exigir que os imóveis sejam bem cuidados, que os danos sejam reparados e que as rendas sejam pagas.

O equilíbrio entre compromisso social e racionalidade económica só funciona se todos colaborarem: inquilinos que assumem responsabilidade pelo imóvel; entidades gestoras que acompanham os problemas em vez de desaparecerem; e um Estado que não financia os programas apenas no papel, garantindo também verbas suficientes para reabilitações quando algo corre mal.

Para senhorios particulares na Alemanha, vale a pena olhar para situações destas com frieza. Ao perceber os riscos e os mecanismos disponíveis, torna-se mais fácil decidir: vou arrendar? a quem? em que condições? e como acompanho o suficiente para que uma boa intenção não se transforme num desastre caro?

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