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Finerge obtém €115 milhões para quatro centrais fotovoltaicas de 257 MW em Portugal

Engenheira com colete e capacete analisa painéis solares e turbinas eólicas num terreno ao pôr do sol.

A Finerge, maior produtora de energia eólica em Portugal, está a desenvolver quatro centrais fotovoltaicas no país, concebidas para tirar partido das infraestruturas de ligação à rede elétrica já existentes e atualmente utilizadas por dois parques eólicos do grupo. Estes projetos de “hibridização” - a estratégia de combinar tecnologias distintas no mesmo ponto de ligação à rede - acabam de garantir financiamento, com a Finerge a obter um total de €115 milhões junto de um consórcio composto pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), pelo BCP e pelo Sabadell.

Financiamento e hibridização na estratégia da Finerge

De acordo com a Finerge, em declarações ao Expresso, o financiamento foi estruturado em regime de financiamento de projeto, um modelo em que o reembolso do empréstimo é assegurado pelas receitas geradas pelo próprio projeto financiado. Com assessoria da empresa de serviços financeiros Alantra, a Finerge reuniu nesta operação os meios necessários para avançar com a construção dos quatro projetos fotovoltaicos, que somam 257 megawatts (MW) de capacidade, a acrescentar aos 2167 MW de potência instalada da Finerge.

O presidente executivo (CEO) da Finerge, Pedro Norton, sublinha que esta operação constitui um “marco importante” para a estratégia de crescimento orgânico da empresa, defendendo que a hibridização reforça as “sinergias entre as tecnologias eólica e solar”. “Os projetos solares híbridos são uma prioridade estratégica, tanto pelas eficiências operacionais que proporcionam como pelo seu contributo para a transição energética”, afirma.

A Finerge, que hoje opera 2167 MW, prepara-se para instalar mais 257 MW de capacidade solar

Novas centrais solares da Finerge: localizações e ligação à rede

O portefólio financiado pela CGD, BCP e Sabadell integra as centrais solares de Sendim, Benespera, Senhora da Póvoa e Riodades. As duas primeiras irão ligar-se à rede recorrendo às infraestruturas partilhadas com o parque eólico da Raia, que dispõe de 140 MW de capacidade instalada. Já as centrais de Senhora da Póvoa e Riodades utilizarão a ligação à rede do parque eólico do Alto Douro, com 253 MW e considerado um dos maiores do país. Para estes parques eólicos, a Finerge mantém ainda a intenção de avançar com operações de sobreequipamento, com vista a elevar a produção em cada uma das localizações.

Entre as quatro novas unidades solares, Benespera “é o projeto mais pequeno e vai ser o primeiro a ficar pronto”, indica ao Expresso o administrador da Finerge responsável pela expansão, Eduardo Camino Arias. A central fotovoltaica de Benespera terá 20 MW e a entrada em operação está prevista para o último trimestre deste ano. Ainda assim, como ressalva o gestor, “as obras já começaram em todos os projetos”.

Projetos já têm contratos de longo prazo

Segundo Eduardo Camino Arias, o financiamento agora assegurado junto da banca só foi viável devido ao grau de maturidade dos projetos fotovoltaicos e ao facto de a Finerge já ter fechado contratos de longo prazo para a venda de energia, o que aumenta a confiança dos financiadores na capacidade de cumprimento do serviço da dívida. “Nos projetos solares há que assegurar as receitas futuras, pois deixá-los sujeitos à volatilidade do mercado pode inviabilizá-los”, enquadra.

Os contratos de energia de longo prazo (conhecidos pela sigla PPA) foram celebrados em maio de 2025 com a Galp, através de dois acordos: um dedicado exclusivamente à energia solar e outro para uma combinação de energia solar e eólica da Finerge.

Eduardo Camino Arias acrescenta que a Finerge espera vir a instalar baterias em alguns dos projetos em desenvolvimento, com o objetivo de otimizar a produção. O responsável admite também que, em Portugal, persiste “uma certa descoordenação entre as várias entidades” envolvidas nos processos de licenciamento de projetos de energias renováveis. Ainda assim, considera que o país poderá aproveitar melhor as fontes verdes, sobretudo caso avance a flexibilização do uso das ligações à rede, permitindo que promotores com licenças para centrais solares possam construir parques eólicos em alternativa às fotovoltaicas.

Com quase 2,2 gigawatts (GW) de potência instalada - 1,9 GW em Portugal e o restante em Espanha - a Finerge conta com 93 parques eólicos e 18 centrais solares (na sua maioria de pequena dimensão). No balanço, os ativos totalizam €2,1 mil milhões e, no ano passado, originaram uma faturação de €406 milhões.

Grupo opera há três décadas

Criada há três décadas, a Finerge construiu em 1999 o seu primeiro parque eólico em Portugal e, atualmente, está presente em mais de 60 municípios. A estrutura acionista é composta em 75% por fundos da Igneo Infrastructure Partners (gestora de ativos anteriormente designada First Sentier Investors) e em 25% pelo BNP Paribas Asset Management Alts.

Na vertente eólica, a Finerge dispõe de mais de 1,8 GW de potência instalada em Portugal, posicionando a empresa liderada por Pedro Norton como o maior produtor eólico no país. A EDP, por exemplo, tem cerca de 1,2 GW eólicos em Portugal, enquanto o terceiro lugar nesta tecnologia pertence à Nadara, com 0,9 GW.

Os dados mais recentes da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) mostram que, em fevereiro, Portugal registava 5965 MW de potência eólica instalada - o mesmo valor com que terminou 2025, um ano em que a capacidade eólica nacional cresceu apenas 5 MW, em contraste com a expansão solar (em Portugal foram instalados 1172 MW fotovoltaicos no ano passado).

Nos próximos anos, o negócio eólico poderá ganhar novo fôlego graças às necessidades de energia verde de novos consumidores, como os centros de dados e as unidades de produção de hidrogénio verde. Ainda assim, a complexidade dos processos de licenciamento poderá vir a atrasar alguns projetos.

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