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Transição energética na União Europeia: conclusões do debate na SIC Notícias

Homem em estúdio com holograma sobre energia e ambiente, mapa da Europa ao fundo.

Crises recentes e o impulso para a transição energética na União Europeia

Nos últimos anos, a União Europeia (UE) viu-se forçada a acelerar a transição energética e a procurar respostas para crises sucessivas que expuseram dependências externas - primeiro com a invasão da Ucrânia e, mais tarde, com o bloqueio do Estreito de Ormuz. “Há uma lição que nos está a ser dada, que é se tivermos capacidade de produção e consumo de renováveis conseguimos, provavelmente, ter preços mais baixos”, afirmou Henrique Burnay, admitindo, ainda assim, que “não vamos deixar de usar gás e petróleo nos próximos tempos”.

Debate na SIC Notícias e estudo da FFMS/Brookings

Henrique Burnay, especialista em assuntos europeus, foi um dos intervenientes num debate realizado esta quinta-feira na SIC Notícias sobre a transição energética, a partir das conclusões do estudo “A transição energética na Europa: equilibrar o trilema” apresentado esta semana pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) e pela Brookings (recorde aqui). Também António Costa Silva, ex-ministro da Economia, e Ana Luís de Sousa, diretora-executiva da Associação Portuguesa de Energia, defenderam que a rota deve privilegiar as renováveis, mas alertaram para a necessidade de maior “neutralidade tecnológica”, evitando tratar uma solução como a única via para a descarbonização.

Apresentam-se, em seguida, as principais ideias discutidas.

Transição energética na União Europeia: burocracia, indústria e neutralidade tecnológica

  • Costa Silva criticou o que descreve como “miopia política” na Europa quanto ao modo de concretizar a transição energética e considerou que as instituições europeias estão “muito focadas na burocracia e na regulação”. Para ilustrar, referiu: “Durante quatro anos, a Comissão Europeia fez 3500 regulamentos”.

  • Para o antigo ministro, há sinais positivos - como a redução da dependência do gás natural russo, de 30% para 19%, e as compras conjuntas de gás -, mas continua a ser essencial acelerar a inovação para que a Europa consiga aproximar-se da China na corrida da descarbonização. Como exemplo, recordou: “Em 2024, dos 17 milhões de carros elétricos vendidos no mundo, dois terços foram fabricados na China, 80% das baterias foram fabricadas na China, 90% dos painéis solares a mesma coisa”.

  • Henrique Burnay sublinhou que, para lá da queda das emissões, a transição assume cada vez mais o carácter de “estratégia económica e geopolítica”. Nesse contexto, vê oportunidades relevantes no médio prazo, incluindo a atração de indústria para a Península Ibérica, que poderá disponibilizar mais produção renovável a preços mais competitivos.

  • Ana Luís de Sousa salientou, no entanto, que “existem processos na indústria pesada que não são passíveis de eletrificação”. Apontou ainda o sector dos transportes como um dos grandes desafios no caminho da descarbonização e defendeu que “a captura e o armazenamento de CO2 vai ter um papel muito importante na redução de emissões”.

  • Quanto ao horizonte final, os participantes convergiram na ideia de que o destino é a energia verde proveniente de fontes renováveis, embora reconhecendo que não existe “um único caminho certo” para lá chegar. Para Ana Luís de Sousa, a resposta passa por manter opções em aberto: “Diversificar [as tecnologias] permite encontrar a solução mais rapidamente”.

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